Queimar Gordura, Qual o Melhor Método?


Estamos atualmente em uma época na qual todo tipo de informação é algo que pode ser acessada facilmente, basta uma busca no Google para se obter uma quantidade enorme de respostas para qualquer dúvida. Porém, quando muita informação existe, diluída em um contexto muito abrangente como a internet, corre-se o risco de confiar em informações de qualidade duvidosa. Além disso, mesmo com toda esta facilidade de acesso às mais novas realizações da ciência, alguns conceitos de décadas atrás ainda sobrevivem de forma desatualizada.

Neste contexto, métodos promissores para diminuição de gordura corporal são uma epidemia. Existem fórmulas mirabolantes que prometem os melhores resultados, com o menor esforço. A maior parte delas sem qualquer embasamento e com resultados reais muito limitados.

Mas, por sorte, vivemos também em uma época na qual a ciência está evoluída o suficiente para poder testar hipóteses e indicar um caminho seguro, principalmente quando se tratam de métodos para melhorar nossa saúde e qualidade de vida.


Então, o que nos diz a ciência em termos de métodos para queimar gordura de forma mais eficiente? Obviamente, não é novidade que a prática de atividade física e a alimentação desempenham um papel central para este objetivo.

A primeira descoberta recente é que mesmo em relação a estes dois pilares da qualidade de vida, existem formas de alimentação e de atividades físicas que são mais eficientes para desencadear no corpo mudanças metabólicas que irão, por sua vez, literalmente ?torrar? aquelas gordurinhas indesejadas. Portanto, precisamos saber um pouco mais o que se sabe sobre tipos de atividade física e a base fisiológica que demonstra quais as que trazem melhores resultados.

Neste quesito, os pesquisadores Steele e Fisher quebraram alguns paradigmas quando demonstraram que praticar exercícios longos e moderados traz resultados pouco satisfatórios quando comparados a exercícios intervalados, curtos e em alta intensidade. Os pesquisadores observaram que atividades de alta intensidade e baixa duração foram mais eficientes para perder peso e melhorar a composição corporal dos sujeitos participantes da pesquisa (ver o artigo completo em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26489022).

Sobre isto, O Dr. Paulo Gentil aponta, em seu livro ?Emagrecimento: Quebrando mitos e mudando paradigmas?, que fazer longas séries de exercícios não seria a melhor forma para obter os melhores resultados, o oposto do que se pensou por muito tempo. Ele acrescenta que ?a base teórica utilizada para compreensão e prescrição de atividades físicas para emagrecer está equivocada. E isto levou à utilização de um modelo comprovadamente ineficiente, que não tem obtido êxito em controlar o peso corporal dos praticantes de exercício?. Ou seja, a aplicação deste tipo de atividade física parecia a melhor solução, mas estava baseada em um conceito equivocado em relação à como o corpo gasta energia para a manutenção do peso corporal desejado.

Bem, mas se estamos nos embasando em descobertas científicas, não basta alegar algo, pois faz-se necessário dizer de onde veio uma afirmação. Neste caso, a afirmação feita acima pode ser fortemente apoiada por uma recente pesquisa sobre a relação de gasto energético (consumo calórico) com perda de peso. Esta pesquisa simplesmente virou de ponta cabeça o que acreditavam os apoiadores do modelo tradicional. Pois, se no modelo tradicional, se entendia que quanto mais atividade física se pratica mais energia é gasta e, consequentemente, mais peso o praticante perde; no modelo proposto em 2015 por Pontzer foi demonstrado que nosso metabolismo não funciona de forma tão linear assim. Pelo contrário, os pesquisadores descobriram que quanto mais atividade física se pratica de forma invariável (repetitiva), moderada e longa, menos energia o corpo consome depois de adaptado. Ora, isso explica porque muitas pessoas conseguem resultados nas primeiras semanas e depois chegam a um platô, do qual só conseguem sair modificando a atividade física, ou fazendo mudanças drásticas na alimentação, o que é insustentável por longo período. O que eles demonstraram é que o corpo simplesmente se adapta para economizar energia... É como se entendesse: ?ok, preciso me tornar mais econômico para aguentar tanta atividade? (artigo completo http://www.cell.com/current-biology/pdf/S0960-9822(15)01577-8.pdf).

O mesmo não acontece com atividades variadas e intensas, nas quais a adaptação acontece em escala muito menor. Quanto menos adaptado, mais energia seu corpo gasta e mais resultados adaptativos ao exercício ele vai gerar, como queima de gordura e criação de massa magra... Resumindo: Melhores resultados!

Embora esta seja uma pesquisa bastante conceitual, existem testes de aplicações práticas desta teoria que também demonstraram os mesmo resultados. Como cita o Dr Paulo Gentil ao indicar que pessoas que realizam atividades intensas apresentaram menor relação cintura-quadril e menor quantidade de gordura subcutânea, mesmo gastando menos energia e trabalhando por tempo que antigamente era chamado de ?zona de queima de gordura?.

Mas o que podemos concluir com isto tudo?

Inicialmente, estes estudos demonstram que não devemos pensar em termos diretos de que os melhores resultados são decorrentes de maior tempo de atividade ou maior gasto calórico, pois o desejado é uma atividade que gera maiores respostas de nosso organismo não durante a prática, mas sim após ela. É nas horas que vem depois do exercício que queremos buscar a melhor resposta fisiológica para colher os melhores resultados. Neste sentido, as atividades de prática variada e intensidade mais alta, demonstraram ser a melhor opção.

Nas palavras do Dr Gentil: ?A receita seria utilizar atividades de alta intensidade, que alterem seu metabolismo de modo a direcioná-lo para perda de gordura. Isso não significa, necessariamente, que estas atividades vão promover alto gasto calórico e muito menos que vá utilizar muita gordura durante sua realização?.

Outra conclusão menos direta, é de que não adianta adotar métodos temporários para manutenção de um peso e percentual de gordura desejável, o necessário é uma mudança de estilo de vida. A prática de atividade física deve ser eficiente o suficiente e estimulante o suficiente para ser praticada não por alguns meses, mas para a vida toda. Incorporar a atividade física, de forma prazerosa e constante no cotidiano parece ser a formula para viver melhor aproveitando a qualidade de vida gerada.


Existem várias possibilidades de treinar da forma sugerida, mesmo entre os corredores isto é possível, pois uma boa assessoria de corrida poderá fazer uma programação pouco repetitiva de treinos, mas uma modalidade muito próxima da descrição de atividade física acima é o CrossFit. O CrossFit tem como método exatamente a alta variação de atividades mantendo alta intensidade nos treinos. (Você pode agendar uma aula experimental conosco clicando AQUI).

Outro fator inseparável para uma vida saudável é a alimentação. Falaremos disto em outro artigo, mas fica aqui a fica para procurarem ler sobre a dieta paleolítica. Uma fonte bastante esclarecedora é o blog do Dr Souto, disponível em http://www.lowcarb-paleo.com.br/2012/01/dieta-paleolitica.html.

 


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